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Combate: arte ou engenharia? | Um manifesto

· updated 2026-01-02 · ReBot pt read in english

Os tenets que vão guiar o ReBot, um beetleweight undercutter projetado como projeto de engenharia, não como auto-expressão.

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A ideia

Essa jornada começou há algum tempo, eu queria fazer mais um combate, dessa vez completamente do meu jeito, e finalmente tenho a verba necessária pra seguir com isso. Comecei a ter algumas ideias e pensar no que gostaria de fazer. Inicialmente, só tinha certeza de três coisas:

  1. Quero um undercutter.
  2. Tem que ser exagerado.
  3. Tem que ser feito diferente do que eu tava acostumado na Thunder.

Essencialmente essas eram as guidelines do projeto, e pensando bem, o simples ato de fazer um forum thunder-like no github já me leva a questionar se estou mesmo fazendo algo diferente, mas faz parte, acho que a documentação era uma das partes mais positivas do processo mesmo.

Porém, ao conversar com um amigo um comentário surgiu e me incomodou: “os combates sempre foram feitos mais como arte e auto-expressão do que como engenharia igual foi no micras.”

Eu, como combateiro, discordei. Mas em analise minunciosa, não sei se ainda consigo discordar muito. As escolhas sempre foram feitas com base numa mescla profunda entre fato, pesquisa, experiência e opinião, então quero fazer esse robô pra ver o que acontece quando se inicia um projeto buscando se embasar e justificar ao máximo cada decisão, sem comprometer funcionalidade por preço, opinião ou porque meu colega de equipe falou que era uma boa ideia colocar 2 dentes num drum e ninguem conseguiu convencer ele do contrário.

Com isso em mente, comecei a pensar no que significa fazer um combate como um projeto de engenharia. A verdade é que ainda não sei, mas neste post vou tentar argumentar um pouco sobre isso e estabelecer alguns principios (ou tenets) que vão guiar o desenvolvimento desse simpático beetleweight.

Preceitos

Com toda essa conversa (e depois de meses estudando LPs da Amazon pra entrevista), eu fiquei pensando em alguns “Tenets” que podem guiar o desenvolvimento do nosso simpático beetle. Até agora, cheguei nisso aqui:

1. Saiba o porquê

Acho que o primeiro e mais importante preceito para um combate micras-like é que toda decisão deve ser justificada. O formato de uma peça, o material da armadura, os motores e os mosfets escolhidos, tudo tem que ter um propósito, porque simplesmente dizer que vamos usar a ESC X porque é o que todo mundo usa não é suficiente.

Se você olha pra uma peça, um formato, ou um componente e não sabe dizer o porque dele ser aquele componente, daquele material, naquele lugar, vale repensar se você está fazendo isso direito.

Exemplo: Q: Por que você tá usando esse driver pra arma? A: Porque dimensionamos que pra ter uma arma girando a X rpm vamos precisar usar o motor A na arma, e o pico dele é compátivel com o componente, além de que a corrente de regime esperada é comportada com uma margem boa.

2. Meça duas vezes, corte uma

O CAD não é rascunho, é a documentação da montagem antes dela acontecer.

O processo de projetar um robô de combate é demorado e entediante porque, de maneira geral, é feito de forma afobada. Existe muita vontade de colocar algo no CAD, ver como o robô pode ser e entender a viabilidade meio que na marra, mas isso é só gastar tempo e esforço. Aqui, projeto só começa depois que tudo (ou quase tudo) tiver planejado e planilhado.

A primeira versão deste tenet dizia que antes mesmo de começar o projeto já dá pra saber o budget de peso que temos pras peças, uma vez que bateria e motor em geral tem peso fixo. Mas conversando com outro combateiro, isso caiu rápido: pra um undercutter, que não é exatamente o meta hoje, motor de arma e bateria não são commodities, peso e tamanho variam com os requisitos. Basta olhar pra planilha deste projeto pra ver que os candidatos são bem dispersos.

Então o tenet, mais honesto, é: a planilha vem antes do CAD, mas a planilha não é uma tabela de pesos fixa vinda do alto, é uma estimativa que itera junto com a escolha de componentes, com margens explícitas. O ponto é evitar descobertas desagradáveis quando estamos passando os parafusos no cad, ou pior ainda, quando o robô não fecha peso na primeira montagem.

3. Questione o Status Quo

“Porque é muito difícil” não funciona aqui, se não foi testado não tem porque não tentar se o ganho marginal parecer razoável. A partir do momento que se tornou um hobby e o dinheiro sai do meu bolso, qualquer teste (dentro de uma margem razoável que não me impeça de pagar o aluguel) é um teste válido. Esse projeto existe para tentar ao máximo fazer algo diferente do meta, é injusto desistir de algo antes mesmo de testar a viabilidade.

A bottom line é que não deixaremos de fazer algo só porque é complexo, mas a complexidade deve trazer um ganho real (seja em performance ou aprendizado).

4. Rule of Cool

É o último mas é talvez a alma do negócio, ainda que eu queira muito um robô competitivo, eu quero acima de tudo, um robo dahora. O propósito inteiro é fazer um beetle que seja do caralho, que todo mundo olha e fala “porra, do caralho!” tem que exalar esmero e estampar na tampa do robô que cada parafuso foi pensado e colocado ali propositalmente. É primeiro engenharia, mas tem que ter cara de uma obra de arte.

O projeto

Apresentadas as tenets, vou falar um pouco sobre o projeto em si (que tem até nome placeholder, nosso amigo ReBot). A ideia aqui é fazer um robô:

A ideia desse post não é entrar no detalhe, mas apresentar a ideia geral do projeto. A única coisa aqui que é imutável é que vai ser um undercutter (e até isso é meio flexível). No fim do dia a ideia é fazer um robô inovador, que dá um show legal, e que chega pelo menos até os juízes contra um robô de referência.

Sobre referência: o primeiro instinto foi escolher o Sombra (isso é benchmark de velho?), mas em 2025 tivemos 4 competições com 3 vencedores diferentes, e o único que repetiu foi o Bandoleiro. Olhando superficialmente, parece um benchmark mais honesto pra hoje. Cabe um post de análise da categoria depois.

Por enquanto tô numa fase de pesquisa intensa, mas já temos essa planilha onde tô largando alguns modelos de motor e bateria, além de fazer uns rascunhos de velocidade da arma e tudo mais. Convido todos a comentarem sobre também.

Conclusão

Se alguém leu isso, fico feliz e espero críticas, tudo aqui tá sujeito a mudança e eu vou trazer mais atualizações em breve.